África do Sul: Dois dias em Joanesburgo

Vuvuzelas!

Maior dúvida dos últimos tempos: qual viagem relatar primeiro até fazer a primeira “pós-blog”…

Escolhi apresentar, por partes, a experiência mais legal que tive nos últimos tempos: passar quase um mês na África do Sul!

A maior parte deste tempo passei trabalhando como voluntário em um parque de leões, o Lion Park! É claro que esta experiência incrível merece um post exclusivo, mas antes disso vou falar um pouco sobre Joanesburgo, onde passei poucos dias (e vi muito menos do que gostaria) antes de ir para o parque, que fica nos arredores da cidade.

Como todo apaixonado por aviação, acho que a viagem começa já na chegada ao aeroporto (a combinação de ansiedade e alegria desde a fila do check-in é deliciosa!). Assim, tentarei sempre falar um pouco sobre a experiência dos próprios vôos também (sou viciado em flight reports e vou tentar fazer alguns por aqui.).

Então, vamos à viagem!

São Paulo – Joanesburgo (SA 225 / GRU-JNB)

Com horário de saída no começo da madrugada, o check-in foi atencioso, apesar da elevada ocupação do vôo, com uma longa fila formada em frente ao balcão utilizado pela South African em Guarulhos. Em seguida, ponto negativo para o atraso na partida em cerca de uma hora e para a ausência do amenity kit que a companhia costuma oferecer mesmo na classe econômica. A tripulação, neste trecho, foi bastante profissional mas talvez um pouco menos simpática e cordial que o desejável. Por outro lado o espaço entre os assentos era bem razoável e o sistema de entretenimento individual possuía muitas opções, de jogos a filmes de vários gêneros. As refeições eram bem servidas e saborosas para os padrões de classe econômica, com opções de vinhos sul-africanos e de simpáticas miniaturas de Amarula! Assim, as 8 horas de vôo transcorreram com tranquilidade.

O vôo de volta foi muito parecido; com destaque para a tripulação, muito mais simpática do que a do vôo de ida, inclusive oferecendo água e snacks para os insones durante a madrugada.

Aeroporto Internacional O. R. Tambo (JNB) e Gautrain

Gautrain na plataforma da estação do aeroporto O. R. Tambo

Ao chegar, agilidade na imigração (sem qualquer questionamento adicional) e na restituição das bagagens. O aeroporto é amplo e moderno e logo após o desembarque fui em busca de dois serviços: casa de câmbio e loja de operadora de telefonia móvel.  Logo junto à saída do desembarque existem várias casas de câmbio, e gastei um bom tempo ali fazendo contas; várias são as combinações possíveis entre taxa de câmbio e comissão, é bom prestar atenção para fazer o melhor negócio. No aeroporto também existe uma loja da Vodacom (operação sul-africana da Vodafone), boa opção para quem deseja comprar um chip pré-pago para dispor de telefone e internet no país.

Quem não tem transfer aguardando no aeroporto e vai para Pretoria, Sandton ou para a Park Station pode utilizar o Gautrain, moderno trem de passageiros que faz a ligação entre o aeroporto e alguns pontos de Pretoria a Joanesburgo.  No meu caso foi especialmente útil pois havia reservado um hotel no distrito de Sandton que dispunha de transfer gratuito a partir da estação Sandton do Gautrain. O trem é moderno e confortável e os bilhetes podem ser comprados na própria estação do aeroporto.

Sandton, Sandton City e Nelson Mandela Square

Passei 3 noites em Joburg (como a cidade também é conhecida por lá) e optei por ficar hospedado no distrito de Sandton. Em boa medida em razão da facilidade de acesso proporcionada pelo Gautrain, pela variedade de hotéis e por relatos sobre a infra-estrutura e a segurança da região. Ao menos para o turista, o complexo ao redor da Nelson Mandela Square pode ser considerado o coração de Sandton; ali estão, além da praça e de vários hotéis, o shopping Sandton City e a estação Sandton do Gautrain. Apesar de ser o tipo atração comum a qualquer grande cidade, o shopping é muito grande, com ótima variedade de lojas; a Nelson Mandela Square vale a visita para tirar uma foto com a estátua de 6m de altura do ex-presidente sul-africano, e, dos restaurantes da praça, o Lekgotla é especializado em culinária sul-africana e tem um buffet que pode ser uma ótima oportunidade para provar iguarias típicas da região como “ensopado” de antílope.

Ainda em Sandton fica Montecasino, um enorme complexo com cassino, teatros,  hotéis, cinemas, lojas, bares e restaurantes e que reproduz uma antiga cidade italiana. Se por acaso alguém visitar Joanesburgo interessado em jogar, pode ser uma ótima opção.

Nelson Mandela Square

Museu do Apartheid

No primeiro dia de fato em Joburg, após a volta na Nelson Mandela Square, o destino escolhido foi o Museu do Apartheid. As distâncias entre os hotéis e as atrações na cidade costumam ser bem razoáveis; sem um carro alugado e com um transporte público complicado para os estrangeiros, a saída mais cômoda acaba sendo contratar um motorista por conta própria ou através do hotel, que foi o meu caso. Logo após o almoço, na hora previamente combinada com o concierge do hotel, um táxi estava aguardando para levar até o museu. Atravessamos parte da cidade para chegar ao museu; inicialmente a ideia de passar uma tarde inteira ali me pareceu um pouco exagerada, logo descobriria que felizmente eu estava enganado.

A exposição permanente do museu é ricamente ilustrada e conta em detalhes a história do Apartheid, o regime segregacionista vigente na África do Sul entre 1948 e 1994. Beira o inacreditável as atrocidades que aconteceram ali durante mais de 40 anos, como política de governo, fundamentada em leis vigentes. Inevitável pensar que uma parcela da humanidade não aprendeu nada com o que aconteceu na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. E o mais inacreditável é que o Apartheid só terminou em 1994, ou seja, em perspectiva histórica, “ontem”.

Além da exposição sobre o regime em si, o museu apresentava ainda ampla exposição sobre a vida de Nelson Mandela.

Infelizmente é proibido fotografar dentro do museu, mas é sem dúvida uma parada obrigatória para quem gosta de história e quer tentar compreender melhor o que aconteceu no país nos últimos 60 anos.

Entrada do Museu do Apartheid, com duas portas representando a divisão racial imposta pelo regime.

Soweto

No dia seguinte, o destino escolhido foi Soweto. O tour foi novamente contratado através do concierge do hotel, e desta vez em uma van que levava também outros turistas. Antes de chegar em Soweto, o motorista (que nasceu e mora lá) percorreu rapidamente o centro de Joanesburgo enquanto dava algumas explicações sobre a cidade.

O nome Soweto vem de SOuth WEstern TOwnships ou “Distritos do Sudoeste”; a área foi criada para administrar os diversos bairros para negros estabelecidos pelo Apartheid, uma vez que, de acordo com o regime, brancos e negros não podiam morar na mesma área. A região tornou-se então símbolo de resistência contra o Apartheid e foi palco de marcantes episódios de violência policial, do qual o mais emblemático é o que ficou conhecido como Levante de Soweto e que culminou com centenas de mortes em 1976. A fotografia de Hector Pieterson, jovem estudante morto no Levante correu o mundo como ícone da violência policial e do regime do Apartheid.

Atualmente, em Soweto, o Museu Hector Pieterson conta a história do Levante de 1976 e da própria região.

Também em Soweto, próximo ao Museu Hector Pieterson, fica o Museu Nacional Nelson Mandela, localizado na antiga casa do ex-presidente.

Após estas paradas obrigatórias, já no caminho de volta, o motorista da van parou ainda em frente ao Soccer City, palco da final da Copa do Mundo de 2010, para tirarmos fotos em frente ao estádio.

Como o dia seguinte já era o da partida para o Lion Park, infelizmente vi muito menos do que gostaria em Joburg. Mas, como o viajante volta já, a lista do que fazer na próxima oportunidade já está pronta!

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5 Respostas para “África do Sul: Dois dias em Joanesburgo

  1. Pingback: África do Sul: Trabalho voluntário – Lion Park | O Viajante Volta Já·

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